➡️ Conversas Iniciadas
YouTube e CazéTV pressionam a TV tradicional na disputa por publicidade, enquanto a Netflix usa WWE para reduzir churn e criar hábito semanal no streaming
⚫ YouTube mira o último bastião da velha mídia: o dinheiro da TV
No último dia 23, a Fast Company lançou a primeira reportagem de uma série especial intitulada How YouTube Ate TV. Só nesta semana Neal Mohan repercutiu as ótimas histórias de bastidores contadas pela revista.
No LinkedIn, o CEO do YouTube relembrou a trajetória da empresa “como uma startup de compartilhamento de vídeos acima de uma pizzaria virou a maior plataforma de streaming do mundo”.
O analista Ian Whittaker enxerga outra motivação para a publicação:
“Os sinais são de que o YouTube está pressionando de forma mais agressiva para receber dinheiro de anúncios de TV. E com os números do 3º trimestre da Alphabet (e também do YouTube) chegando, provavelmente há alguma pressão.”
O balanço da Alphabet será divulgado no dia 29.
Hernan López também alerta para acompanhar “mais um salto” do YouTube TV. A imprensa americana fala em 10 milhões de assinantes, número que ele considera “ligeiramente inflado”.
Em paralelo, analista diz que seguem em alta o YouTube Music e o Premium, além de crescimento consistente em monetização e margens.
⚫ No Brasil, o YouTube já está capturando a verba que financiava a TV
Baseado em estimativas do mercado, Whittaker diz que o YouTube faturou US$ 36 bilhões em publicidade em 2024, contra US$ 170 bilhões da indústria global de TV. Neste embate, o analista acredita que não há antagonismo:
“O YouTube não é vilão. Está fazendo o que qualquer empresa deveria fazer: buscar lucro e entregar valor aos acionistas”, escreve o analista.
No Brasil, a disputa pelo orçamento publicitário dá um panorama da posição em que o YouTube encontra-se no mercado.
Segundo Marcel Rizzo, do Estadão, CazéTV e YouTube já somam R$ 2 bilhões em patrocínios para a Copa do Mundo de 2026. São 11 acordos, cada um avaliado em R$ 185 milhões. O valor total é comparável ao total das cotas comerciais da Globo para o mesmo torneio. A diferença é que, na emissora, o pacote está dividido entre TV aberta e fechada.
Acompanhando as discussões sobre o futuro da mídia direto do MIPCOM Cannes 2025, o epicentro da indústria global de conteúdo, Sean Atkins resumiu:
“YouTube não está interrompendo a TV, está se tornando TV”
⚫ Netflix olha para onde está a retenção
A WWE acumulou 300 milhões de horas de exibição na Netflix no primeiro semestre de 2025, segundo a Ampere Analysis. Lançado em janeiro, o WWE Raw mantém média de 6,5 milhões de horas por semana. A WrestleMania 41, em abril, bateu 19,8 milhões de horas no evento ao vivo.
Os streamers estão acelerando o aporte em direitos esportivos ao vivo para reduzir churn. A Ampere mostra a escalada: o investimento saiu de US$ 3,2 bilhões (2020) para US$ 12,3 bilhões (2025).
Joshua Rustage, analista da Ampere, vê como um movimento óbvio:
“O WWE Raw cria hábito. É isso que reduz cancelamento. É por isso que plataformas estão comprando direitos esportivos recorrentes.”




